Pesquisa
avançada
12775 joguetes

Retarded Yellow Movie of The Week

Eu busco filmes soberbos. Ainda não encontrei nenhum.

Como o filme novo do Stallone foi uma bomba e até o Arnold decepcionou no seu filmete de Xerife em que rola até Rodrigo Santoro, e o remake de Evil Dead foi tão fenomenalmente ruim, capaz de transformar um terror original em um genérico violento dos de sempre em que toda a história e efeitos especiais se entregam no primeiro minuto, rola draminha de dogras pra justificar a ação, tentam levar a sério e ainda por cima não conta com nenhuma atuação do nível do grandioso Bruce Campbell, praticamente desisti do cinema moderno. (Triste ano em que o melhor filme até então foi o do Tom Cruise.) E como já vi todos os filmes antigos que existem, decidi partir para o CINEMA obscuro, os filmes mais toscos e menos famosos que existem e deixo aqui algumas dicas do nível Bruno Napoleão da Folhinha que certamente farão a alegria dos amantes da sétima arte. Se é que a sétima arte é o cinema, porque não sei se é mesmo. Espero que seja.

Cheguei a apelar para o cinema nacional, é verdade. Lembrei de um dia em que estava assistindo ao Canal Brasil e peguei o final de uma obra em que uma mulher de cabelo curto fazia um boquete violento, mordia e arrancava as bolas de um cara em uma estradinha de areia no meio de um mato. Aí vinham os créditos do filme ao som de uma musiquinha hedionda que tinha na letra frases do calibre de "Teach me tiger" se não me engano. Gostaria muito de saber o nome do filme, se alguém puder me informar, comente ali embaixo. Mas lembrando dessa cena, fiz minhas abluções e rezei, prosternando-me duas vezes em agradecimento a Deus altissimo. Em seguida, lembrando que o filme continha cenas do Come Come 2 do Odyssey, cometi a insanidade de ver de novo Bete Balanço.

Comecei mal. Nos primeiros 15 minutos já estava quase arrancando os testículos. Não lembrava o quando esse lixo era horrível e entediante e bagaceiro e estava pronto para abandonar para sempre o cinema nacional. Mas nesse momento meu considerado Oh Daesu, apreciador da legítimo coisa boa, de obras como Clara das Neves (Costinha), O Homem de Itu (Nuno Leal Maia) e Sete Gatinhos (em que o Antonio Fagundes interpreta o comedor Bibelô que faz a mulher pagar o motel e a corrida de táxi) sugeriu um grande clássico chamado as Safadas. Trata-se de um daqueles filmes com três histórias diferentes. A primeira se chama "A Rainha do Fliper" e, como curiosidade, tem várias cenas em que aparece a máquina de pinball Cavaleiro Negro, uma das mais famosas da Taito do Brasil no início dos anos 80. Alguns entusiastas do fliperama até colocaram um trecho no youtube:

Pelo video vocês já podem ter uma ideia do alto nível dos diálogos.

A história é o seguinte: Reginéia, a rainha do fliper, sustenta um cafetão através do dinheiro que ganha em verossimeis apostas no Cavaleiro Negro. Um dia surge o ex-namorado dela, o Tezinho, que é o bigodudo com cara de broxa na cena acima, e daí por diante rola todo um drama e um estudo do personagem e do cuckoldismo em geral (cuckoldismo em suas muitas faces é o tema geral das três histórias), até ficar comprovado que ele é um loser de primeira, chegando ao ponto de mandar uma frase do treinamento dos fuzileiros navais (eu sou um meeeeeeeeeeerda, senhor). Como era de se esperar, no fim a Reginéia volta para o cafetão comedor que dá tabefe e deixa o florzinha chupador de xana de lado. Rola toda uma arte na filmagem e até um narrador do nada que uma hora recita poesia. Achei que não ficava melhor ou mais sério que isso e nem assisti os próximos episódios direto. Mas estava enganado, os outros dois são muito melhores.

O segundo, Aula de Sanfona, é espetacular. Duas vadiazzzinhas de primeira moram no apartamento abaixo de um gordo que toca sanfona. A primeira cena já demonstra que tavam fazendo cinema no mais alto nível, é a imagem de um edificio com uma coisa diferente acontecendo em cada janela, e vai se aproximando daquela janela em que a vadiazzzinha tá liberando o roscofe pro namorado comedor e cafetão. Mas que na real é otário e fiador do apartamento. Lógico que ela vai trair ele com o gordo: no início tiram o gordo pra otário, mas quando ele mete, a mulher aprecia a rola com moderação e o final é surpreendente e jamais teria sido filmado nos dias de hoje. Criaria polêmica, mas na época era normal. Não vou spoilear porque merece ser visto.

O terceiro episódio, se não me falha a memória, intitulado "Belinha, a virgem" é o que tem a história de pornochanchada mais clássica. Só digo que rolam personagens sensacionais, como o Comendador Passaralho, que paga 50.000 cruzeiros só pra dar uma pegadinha, mas é obrigado a pagar 100.000 pra soltar. Talvez esta seja a melhor obra já produzida até hoje no país. O gigante acordou.

Como não sou louco das cabeça, parei de ver filme nacional e fui procurar hediondices de outras partes do mundo. Encontrei Los Cronocrimenes, um filme espanhol de 2007:

O gordo chonha da foto acima estava em casa, olhando o mato com os binóculos, quando vê uma mulher pelada caída na floresta. Ele vai investigar, surge um cara enfaixado que ataca ele e o gordo se envolve em viagem no tempo e tem que consertar tudo que alterou. É bem divertido e é o único filme de viagem no tempo que resolve todas as diversas linhas paralelas que cria. Engenhoso pra cacete, tem o melhor motivo de todos tempos pra se viajar no tempo (entra aí pra te esconder), e qualquer descrição spoilearia. Conta ainda com uma cena de mulher de tetas de fora por nada. A caixa do filme simula esses filme de assassino moderno, mas não tem nada a ver. Recomendo, dois polegares estendidos.

Muito similar, mas pior, é esse filme inglês de 2009, Triangle, em que uma mulher vai passear de barquinho com os amigos boiolas e, é claro, viaja no tempo. Tem umas cenas e ideias boas e merece um conferes atento dos amiguinhos da folhinha, mas a viagem no tempo tem furos e explicam detalhadamente a moral da história perto do início por nada. Não por coincidencia, a capa também simula ser filme de terror desses de assassino quet ão na moda, e é mentira de novo, apesar de ter mais violência e efeitos que Cronocrimenes. Vai ganhar um polegar estendido, porque ao menos não é remake do Evil Dead e não tem o Rodrigo Santoro.

Outro de viagem no tempo que eu não esperava nada é Enter Nowhere, de 2011, com o filho do Clint Eastwood que fica preso numa cabana com umas mulher e aparece até um soldado da primeira guerra ali. É tão bom quanto os melhores episodios de Alem da Imaginação e esse gênero não vale a pena spoilear. Um polegar e meio estendidos.

Como não achei mais filmes de viagem no tempo, mas o melhor dos filmes anteriores que tinha visto era espanhol, e minha mente funciona de maneira sóbria e delicada, decidi por bem assistir mais obras supremas do país do deus da retrocomputação. Fermat's Room de 2007, também conhecido no Paraguai como La Habitacion de Fermat, é sobre quatro matemáticos que são convidados pra um encontro com desafio matematico e tal, onde comparecem utilizando cada um a ALCUNHA de um matemático historico (eles são convocados pelo Fermat, PERCEBEU?) Mas chegando lá caem numa armadilha sensacional típica de desenho animado dos anos 80: as paredes estão se fechando e só param um pouco se eles conseguem resolver complicados quebra-cabeças enquanto tentam descobrir uma maneira de fugir da sala e o motivo pelo qual foram atraídos até ali. É divertido no nível Sessão da Tarde antes da era da baitolagem dominar a televisão, mas não é grande coisa. Ao menos os persoangens são bons e clássicos: o velho misantropo que não sai mais de casa e que passa os dias jogando xadrez com o único amigo, o matemático estrela popular, um engenheiro bebum que abandonou as artes matematicas por um drama do passado e, como não poderia faltar, uma mulher.

Vejam que terrível e fina ironia: pior que a ironia da Morte do Capitão Marvel: este tinha tudo pra ser decente, mas é ruim. Em Yeloowbrickroad, de 2010, Um grupo de magrões vai atravessar a floresta em busca de uma daquelas cidades em que um dia a população toda sumiu. Aí as bússolas começam a louquear, eles se perdem, surge uma musiquinha sinistra tocada por auto-falantes posicionados em lugar nenhum e eles vão ficando todo lóc e se voltando uns contra os outros, o de sempre, até descobrirem o que está acontecendo. Só que tentaram transformar o final em arte e não se deram. Quem sabe você pode até gostar? Não tem gente que gosta de pagar pra ver playboy de obesa morbida photoshopada? Ah, que saudades dos tempos da PALOMA, com a playboy da Doris Giese. Choc choc choc choc choc.

Ninguém gostou de Vanishing on 7th street, de 2010, menos eu. Então pode assistir porque é bom. Falta luz na cidade toda e quem fica nos lugares escuros some pra sempre. Uns poucos se salvam por motivos diversos, como o John Leguizamo, entregando aqui, COMO SEMPRE, uma sólida interpretação de um lanterninha de cinema ou algo assim que carrega uma luzinha pendurada na testa e por isso se safa. Mas o sol também está sumindo e nas sombras surgem criaturas do mal pra pegar as pessoas. Eles tem que encontrar lanternas, baterias e geradores e outras merdas pra se manter a salvo, que nem naquele joguete do Alan Wake, só que mais divertido. Quem não gostou é porque não entendeu, claro.

Pontypool, filme canadense de 2008, tem umas ideias boas. É um filme de zumbi, só que o virus de zumbi se espalha pelas palavras: algumas palavras foram contaminadas e se o cara ouve elas, fica louco. É quem nem ler o Necronomicon, só que pior: primeiro as pessoas começam a dizer coisas sem sentido e depois são atraídas por sons e vão mordendo e comendo todo mundo. Aí tem o radialista fodanchão esse que tá narrando a coisa toda conforme ela vai acontecendo e que tá preso na estação de rádio e que descobre que é melhor não falar mais nada, pois ele pode dizer alguma palavra contaminada e se fuder. Mas do meio pro fim fica meio fraco. Manteve meu interesse num dos vinte monitores na parede da minha estação polar em que também tava rolando rambo, telefone vermelho, orgia nuclear, damnation alley, a boy and his dog, red peony gambler 7 e uma obra obscura com a Kay Parker.

Nem sabia que existia esse, de 2013, mas Killing Season é bom. O John Travolta enfrenta o Robert DeNiro, é como se fosse o Rambo vs. Schwarzenneger, só que sem o Predador no final pra unir eles e sem um monte de explosões com vários extras morrendo. Imagine uma obra inteira com dois grandes mestres da canastra, cheia de requintes e reviravoltas aleatórias. E o melhor de tudo é a atuação do Travolta, baseada numa barbinha estilo Lincoln e em um sotaque russo afu. O único defeito é que recorre a essas cenas de tortura que tão na moda, fora uns segundos com filtro marrom de filme de guerra que também tá na moda. Mas é divertido mesmo. O DeNiro até faz uns sotaque caipira no inicio, mas depois para, e rola certa arte, como arco e flecha e a cana medicinal alemã.

Vi coisas muito piores que isso, que pretendo comentar em breve, como o monstruoso pra cacete Alien Prey, que parece ter sido dirigido por um doente mental, mas fiquem com o trailer do Quick-Draw Okatsu e até a próxima, amiguinhos da folhinha.

leia mais Retarded Yellow Movie of The Week

Últimos jogos vistos

tu se acha o ardcór das parada?