Pesquisa
avançada
12791 joguetes
  • Windows
  • 2013
  • distribuição online
  • 3909
  • 1
  • entrada

  • parabéns, tome aqui o chequinho do baú

  • \m/

  • finalmente as fronteiras abriram depois de SEIS AUUUNOS

  • todos os dias tem que ver as regras

  • a de hoje é só deixar os cidadãos entrar

  • instruções AFU

  • APROVADA

  • NEGADO, FILHO DA PUTA!

  • tem que desligar o heat para não ficar pobre

  • news flash _!_

  • agora tens um INSPECTION HARDWARE

  • tem que interrogar quem falsifica o bagulho

  • trovou afu! volta pro mar, oferenda

  • oba! rolou ad de puta

  • o magrão pulou o muro e jogou uma bomba!

  • não tenho denhêêêro!!!

  • olha a bronha que vira o jogo

  • e essa agora? :D

  • uma foto falsa! BANIDO!

  • que tora! uma CÂMERA GRUDADA nas costas

  • :DDDDDDDDDDDDD

  • toma aqui uma bomba pra desativar!!! que jogo supremo de ruim

  • um dos excelentes finais

  • :DDDDDDDDDDDDDDD

  • outro final afuzel

  • toma aqui a piroquinha, filhadaputa!

Eis aqui um jogo indie que consideramos ser um punhetoso simulador de comunismo.

O bagulho se passa num fictício país do leste europeu que acabou de terminar uma guerra e daí o teu jogador trabalha no posto de imigração da fronteira do país.

A jogabilidade é basicamente ficar examinando passaportes das pessoas que querem imigrar. Daí os dias vão passando e o jogo vai ficando mais dificil porque mais 'equipamentos de segurança' vão sendo instalados no teu postinho porque o governo começa a exigir mais exames, como checar a data de vencimento do passaporte, exame de raio X, etc.

Tens que fazer toda essa bronha de ficar examinando passaportezinho e passando a galera no raio X + interrogando quem tem documento errado enquanto o relógio corre. Quando acaba o dia, tens que voltar pra casa para pagar o aluguel, a comida e o aquecimento da casa. Lógico que o jogo já sacaneia a ponto do cara ficar sem dinheiro direto no segundo dia. Para sair do vermelho, podes escolher não ligar o aquecimento e/ou não levar comida pra casa. Claro que se fizeres isso, a tua família vai ficando doente e morrendo aos poucos, o que pode levar a um dos finais ruins. E tu morres instantaneamente se em qualquer momento não conseguires pagar o aluguel :D

A premissa parece legal até, mas a jogabilidade é bem enjoada e a aparência do jogo é escrota pra caralho. Mas como é jogo indie, dar o cu é o teu dever. Quem reclamar é expulso do facebook.

O jogo conta com um Story Mode que tem cerca de 20 finais diferentes. Daí rolam merdas como aceitar suborno e ajudar contrabandistas de uma resistência da guerra. Chega um ponto que começam a desconfiar de ti e daí tens que fugir do país com passaportes falsos. Ou podes te aliar ao governo e daí quem quer te matar é a resistência. Gostaram tanto dessa historinha que transformaram o bagulho em filme.

Mas se for punheteiro máximo mesmo, daí tem que jogar no Endless Mode e ver o quanto tempo tu consegues sobreviver no comunismo e ao mesmo tempo manter a tua família viva. E tem que conseguir tudo isso só carimbando passaportezinho e tirando Raio X de traveco. Não há como esperar jogo melhor do que isso.


Para coroar a resenha, eis um texto do estimado Monjolo Panza que foi publicado na UOL há alguns anos. Essa sem dúvida foi a melhor fase do nosso George Orwell tupiniquim.


Novembro terminou tão bem. A guerra com a Kolechia chegou ao fim após seis anos e nossa gloriosa nação de Arstotzka retomou os controles de fronteira em Grestin. No dia do sorteio nacional para inspetor da imigração, quase não acreditamos: fui escolhido.


Deixei para trás Mirsk, minha aldeia no interior, e segui com a família para Grestin, onde ganhamos um apartamento estatal. Dezembro estava chegando e em seguida 1983, que prometia ser o melhor ano das nossas vidas: país em paz, emprego estável, cidade grande.


Logo nos primeiros dias comecei a ficar um pouco confuso. Confesso ter imaginado que meu dia a dia seria fácil. Conferir passaportes, aplicar carimbos e mais nada. Que inocência. Não só havia uma grande quantidade de detalhes aos quais atentar, mas as regras mudavam de um dia para o outro. Novos documentos exigidos, novas habilidades a serem aprendidas. Bater impressões digitais, atestar a veracidade de selos, operar o raio-X. Todos os dias, diante da imensa fila, a primeira tarefa era decorar as novas diretrizes.


E a tensão? Qualquer erro depunha contra mim. Primeiro só advertências, que logo se traduziam em perdas financeiras. Para cada engano, um desconto. Se eu não tivesse como falar com quem se aproximava do guichê, seria mais fácil. Lidaria apenas com documentos, permitiria ou negaria a entrada e chamaria o próximo. Mas as pessoas falavam. Contavam histórias. Pediam favores. Imploravam. Viravam gente em vez de papéis. E às vezes eu não resistia e ajudava. Mas ao mesmo tempo ganhava um dinheiro extra prendendo imigrantes por motivos fúteis.


Os sujeitos da tal Ordem de EZIC tentavam me aliciar, mentindo que Arstotzka era uma ditadura e que vivíamos oprimidos. Nunca consegui denunciar nenhum deles, e em seguida começaram os atentados terroristas na fronteira. Ganhei acesso a armas para abater os inimigos da Mãe Pátria. Para me acalmar, pendurei na parede o desenho que meu filho fez para mim com os gizes de cera que ganhou de aniversário.


Porque tínhamos sobrado só nós dois, meu filho e eu. Com os descontos no pagamento, ficou impraticável sustentar aluguel, comida e aquecimento para todos, que adoeceram. Como devedores vão para a cadeia, precisei fazer uma escolha. Fui deixando todos morrerem aos poucos. Meu tio, minha sogra, minha mulher. Todos, menos meu filho. Uma questão de responsabilidade fiscal. Assim pudemos nos mudar para um apartamento melhor. Todo mundo tem direito a isso em nosso país. Basta usar a cabeça.


Mas foi também esse desenho que me colocou aqui na cadeia. O inspetor me deu voz de prisão por ter mantido o desenho na parede mesmo após receber uma advertência. E ele tinha razão, cometi um erro. Fui insubmisso. Agora meu filho está num orfanato. Confio no meu país e no meu regime. Sei que estão sendo bem cuidados. Sei que mereço a punição por não ter seguido as regras. Quando cumprir a pena e sair daqui, me reencontro com meu pequeno e tudo vai ficar bem de novo. Glória à Arstotzka!