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Star Voyager (NES)

7 Grand Steps: What Ancients Begat

7 Grand Steps

  • Windows
  • 2013
  • distribuição online
  • 1
  • entrada

  • posiciona aí o FATHER KHET

  • vamos maçonear então

  • tem que pegar as beads

  • tem que fazer tokens para poder se mexer

  • dica do dia

  • tem que tokenear a child para aumentar os skills

  • pode pular em cima da esposa para andar mais

  • examinando skills

  • agora tem NPCs que roubam as beads

  • upgrade da masonry para arch

  • já pode trocar de fase

  • vamos fazer o rito de passagem então

  • tem que escolher o trait da criança

  • na segunda fase, a criança cresceu e tem que encontrar um mate. se demorar, se fode e não gera uma nova geração

  • agora com dois círculos e mais um montão de tokens diferentes

  • o jogo virou Bologna & Milagno

O jogo alega ser uma "experiência histórica abstrata", pois tem uma narrativa cheia de referências a eras mais antigas. Tens que fazer a tua família sobreviver aos perigos das eras, disputar recursos com os vizinhos, executar feitos lendários e garantir que as próximas gerações também tenham chance de sobreviver.

Tu controlas um casal num tabuleiro com vários círculos. Tens que mover os teus peões num dos círculos usando uns tokens que tem símbolos que representam atividades e obras, estilo pottery, masonry, etc. A cada turno os círculos giram para a esquerda, arrastando os personagens para um rio cheio de crocodilos. Então tem que sempre ficar se movendo para fugir deles. Mas os movimentos gastam tokens e para recuperar tokens tem que fazer o casal trabalhar juntos, o que faz um dos peões se movimentar para trás para buscar o personagem mais próximo.

Pra piorar a porra toda, o teu casal tem que tentar se reproduzir para poder gerar um legado para a próxima fase (cada fase do jogo é uma geração diferente). Daí tem que gastar tokens nas crianças para deixá-las mais skilled, aumentando a chance de sobrevivência delas.

Em algumas casas do tabuleiro tem umas pecinhas espalhadas que tu tens que acumular para conquistar uma legenda e fazer upgrade dos tokens. No meio do jogo aparecem NPCs que também ocupam as casas do tabuleiro e fazem de tudo para roubar essas pecinhas. Eles também gostam de atrolhar as casinhas, não deixando os teus jogadores ocupar o espaço delas (no máximo 3 jogadores podem ficar numa casa).

O jogo tem gráficos legais, animações decentes e jogabilidade fácil de acompanhar. Bem fora da curva se comparado com a maioria dos jogos distribuidos pelo Steam. Recomendo pra caralho e quase ganha o troféu cu de gordinha.

Só me resta colocar um textão abaixo do nosso considerado Chekhov dos Pampas:


Jamais sairia recomendando "7 Grand Steps" por aí. Mesmo assim, todas as vezes que comecei a jogar levei horas para me livrar dele. Em contraste com o "grinding" de um JRPG tradicional, em que ações repetitivas geram um bem-estar quase hipnótico, aqui as mecânicas inspiram apenas uma ansiedade indistinta. Uma sensação de "o que diabos estou fazendo?", acompanhada pela impossibilidade de parar.


Ambientado nos primórdios da civilização, com elementos que lembram o Crescente Fértil e o Antigo Egito, o jogo é uma mistura de estratégia e simulação com "puzzle" e gerenciamento de recursos, mecânicas de jogos de tabuleiro e estética de máquinas de salão do início do século XX.


É uma saga familiar que se confunde com a história humana: o objetivo é criar uma linhagem que sobreviva ao tempo. Educar filhos, aprender habilidades, ascender socialmente, superar rivais, tudo se faz a partir de fichas.


É enganosamente simples. A cada geração que escapa de ser devorada pelos crocodilos sempre à espreita, uma história gradualmente mais complexa vai se construindo. Relações entre irmãos ganham importância, avós deixam saudade, ambições começam a escapar do controle. Ao mesmo tempo, o jogo começa a parecer desonesto, vulnerável demais ao acaso. Mas começamos a aceitar a ausência de justiça, conformados com mais esse elemento de realismo. E jogamos só mais um turno.


Tenho 241 outros jogos no Steam. Mesmo assim, sempre voltava a "7GS". Sem entender o porquê. Quando minha compulsão era, por exemplo, "Crusader Kings II", o impulso era fácil de entender. "CK2" é uma experiência muito rica, uma obra-prima de narrativa emergente feita sob medida para fanáticos por história. Mas "7GS" é quase oposto: ao invés do prazer de infinitas possibilidades, rotina. Trabalho. Cansaço. E, no máximo, um muito vago senso de realização.


Quando chegamos à última (digamos) fase, a família ascende enfim à classe dominante e a mecânica ganha uma bem-vinda nova camada: além de escrever a crônica da família é preciso gerenciar o reino. É uma implementação de "Hamurabi", o primeiro game de estratégia, criado em 1968, mas figurinha carimbada nos micros dos anos 1980. É quase um recado dos desenvolvedores: tudo aqui é o primeiro passo. O início da civilização, o começo dos arcades, o princípio dos jogos de estratégia.


E este "7GS" é também apenas o primeiro passo, com o subtítulo "Step 1: what ancients begat". É difícil até imaginar no que consistirão os próximos seis passos. Além da progressão de tempo na ambientação, a estética também vai mudar? E as mecânicas? Nem faço ideia. Mas estarei lá, jogando, para descobrir.


Acabei entendendo o que me fazia voltar ao jogo ao observar meu filho de seis anos. Chegava perto enquanto eu jogava e ficava ali, olhando. "Esses são os pais?", apontava. "Posso colocar uma fichinha?". "Cuidado com os crocodilos!". E então percebi como o jogo apela como poucos ao nosso instinto de sobrevivência. Tudo lembra a sensação cotidiana de estar vivo. E contra isso é difícil resistir. Só mais um turno. Só mais um dia.