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Jogo recentemente visto:

Sol Moonarge
  • lutinha na chuva

  • corcunda filho da puta que fica te enchendo o saco

  • comprando bonequinhos de jogos da sega

  • sugerindo pederastia

  • fliperama, diversões eletrônicas, com maquina de boxe e space harrier

  • fazendo o shaolin soccer

  • hang-on

  • inspecionando o espelho da fênix com o discípulo

  • ahá

  • esse negão malandrão vende cachorro quente e é da paz, mas pode te ensinar um golpe secreto

  • aproveitaram a jogabilidade hang-on pra uma fase de motinho

  • kan fu

  • o gatinho não poderia faltar. pode nomear ele e tudo, que bela simulação de jogo da vida!

Yu Suzuki, o gênio dos arcades da Sega, o PAI do Out Run, Hang-On, Space Harrier e After Burner, a piroca encoxante por detrás da série Virtua, resolveu embarcar em uma idéia de jerico épica dessas do gabarito do Sword Quest do Atari, essas mega sagas que é óbvio que nunca na vida que vão ser produzidas até o final, cujo representante mais recente é o The Familiar do nosso considerado Mark Z. Danielewski.

O cara PRETENDIA lançar uma saga em 16 capítulos. Provavelmente a idéia era 16 jogos mesmo e ir importando o save de um pro outro, era uma série pra Dreamcast e o primeiro jogo é só o capítulo 1. Aí depois ele sentiu o peso da pirocagem de ter gasto bilhões irrecuperáveis e no jogo mais cara da história e resolveu diminuir o bagulho pra vários capítulos por jogo, mas de qualquer forma só foram lançados dois, o primeiro em 1999 e o segundo em 2001.

A história é afu, um roteiro consagrado de filme de luta dos anos 80: um dia o Ryo chega em casa e um china pau mestre do kung fu matou o pai dele, que era mestre de karate, pra roubar uma relíquia, e ainda cagou ele a pau. Aí ele tem que encontrar o china e vingar o pai, começando a história no fim do mundo em um vilarejo no Japão em 1986 e indo pra Hong Kong, aprendendo novos golpes e patifarias no caminho. O cenário também é dos bons, cheio de marinheiros falando um engrish gozadão, barzinho com vadias, casas de mahjong e com cidades e vilarejos realistas no lugar das cidades grandes tipo Tóquio comuns nesse estilo de jogo. Claro que a parte um é toda pra tu encontrar a pista do china pau. O jogo todo vai passando em tempo real em uma proporção em que um minuto real é mais ou menos uma hora no jogo. Tu vai andando pelo vilarejo perguntando merda, tem que perfazer todas burocracias da vida tipo dormir e trabalhar em serviços monótonos. Vale a pena jogar sem saber de nada, é claro, porque apesar de não acontecer muita coisa que avance a história, vc, VC vai se supreender com o nível de patifagem que investiram na coisa, com cenas belissimas e singelas tipo o plot twist da agência de turismo com a vadia que te rouba o dinheiro. As lojas abrem em determinados horários e aí tem que ficar esperando a hora ou ir fazer outra coisa até abrirem, pra pegar o ônibus pra outro lugar tens que ficar na PARADA esperando a hora certa dele chegar, que varia nos feriados e fins de semana (elementos que já existiam em alguns jogos de PC mas que o Shemnue foi precursor nos consoladores, além de ter implementado com potência e supremacia nunca antes vistas), pode ir no fliperama jogar uma versão perfeitinha emulada do arcade de Hang-On ou de Space Harrier e rolam diversas lutinhas toscas com vários bonecos ao mesmo tempo e eventos de apertar o botão na hora certa ou morrer e outros arcadezinhos variados bem integrados ao contexto, mas a maior parte do negócio é um adventurezão com interface canhestrona em que tens que encaixar a camera bem direitinho nos objetos que queres examinar ou te perdes todo em um pixel hunt gigante. Os gráficos eram decentes, pra época impressionavam, com várias caras de velhos e crianças que não conseguiam fazer direito até então nos outros jogos, rola vários personagens com seus scripts do dia a dia que nem no Oblivion e Skyrim, tem efeitos de chuva e neve, a decoração das ruas vai mudando de acordo com a época do ano, e as músicas são chinelonas. Vale a pena apreciar pelo menos uma vez pelo valor histórico. Não é a toa que na época muito cu de gordinho piscou e esta obra de arte tem seus fãs até hoje. Este "remake" safado tem apenas widescreen e save a qualquer momento de diferença. Agora finalmente em 2015 Yu Suzuki resolveu lançar um kickstart pra financiar o Shenmue 3 com 20 anos de atraso e já ESTÁ ESQUENTANDO OS MOTORES para dar continuidade a saga.