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12791 joguetes
  • Playstation
  • 1998
  • 2 CDs
  • 1
  • 3D
  • Título do joguete

  • Os vídeos privilegiam as 'features' da vilã

  • Tu é essa mulher aí na direita

  • andando pelo teatro

  • meu menu de bugigangas

  • Combatendo criaturas do mal

Esse jogo é legalzinho, mas é trash. Vou dividi-lo em partes para descrevê-lo melhor. Não leia se for um defensor dos clichês orientais e se acredita que os caras que fazem esses jogos têm imaginação.


Historieta bela:


- AVISO: Prepare-se para mais um clássico clichê oriental pseudo-científico repleto de irmãs gêmeas desconhecidas e de crianças com poderes paranormais que parecem extraídos dos piores mangás -


Tu é essa policial boazuda que é metade japonesa, metade loira. Como sempre, aliás. O nome dela é Aya Brea. Ok, pare de rir. Então, no Natal de 1997, em Nova Iorque, tu vai na ópera com um magrão qualquer, e de repente as pessoas entram em combustão expontânea. Isso. Sem mais nem menos. Morre todo mundo, menos tu e a atriz principal do espetáculo. Claro que tu nunca sai de casa sem o teu revólver e o teu cacetete de polícia. Então, sem mais nem menos de novo, a atriz essa começa a sofrer mutações bizarras, e a te atacar e a dialogar coisas sem sentido contigo. E ela começa a alterar todas criaturas que tão nas voltas, então durante o jogo enfrentarás alguns dos monstros mais engenhosos que já vi, derivados de ratos, jacarés de esgoto, insetos, bichos de zoologico, pessoas e até um esqueleto de dinossauro. Ah, sim, e o ser supremo do qual a vilã Eve está grávida.

O jogo é dividido em 6 dias, e depois desse incidente que acontece no primeiro dia, tu sai investigando pela cidade. Passas por um museu, zoologico, central park, hospital, armazém abandonado, china town e vários cenários interessantes e diversificados. Essa parte ficou bem legal. Aí uma hora tu encontra esse cientista que te explica a teoria de que as mitocôndrias eram originalmente bactérias que entraram em simbiose com as células da gente e que tem DNA diferente do resto do nosso corpo. O jogo todo tá baseado nisso e os caras contam tudo como se fosse grande novidade, mas na realidade qualquer nerd que fez segundo grau sabe disso. Aí eles extrapolam pros típicos roteiros akira e dizem que as mitocondrias tem inteligência e querem dominar os corpos de seus hospedeiros tiranos e exploradores que precisam delas pra usar o oxigênio! Uhu!

Só que a Aya tem mitocondrias boazinhas que dão pra ela poderes delícia. E aí começa o clássico duelo de paranormais. Claro que tem muito, mas MUITO mais merda pesadissima durante o jogo, isso que eu falei não foi spoiler. Vale a pena jogar pra ver como é que é! O tempo todo tu sabe tudo que vai acontecer e eles fazem questão de explorar cada clichê de mangá imaginável e ainda acrescentar alguns de filme de terror. Ou seja, se tu não for um bitolado, tu vai rir um monte dessa história beleza e cheia de diálogos meigos, como "My body... is so... HOT!!!", e "Your mitochondria are calling you, little girl.".

Tu contas com a ajuda de dois caras durante o jogo (deve ter dado muito trabalho pra criar esses personagens complexos):

- Daniel, o policial negão separado da mulher que não tem tempo pra cuidar do filho pequeno.

- Maeda, o cientista japones nerd que fica sem jeito perto das mulheres e que te enche de itens.

Eu não disse que era clássico? E eles basearam o joguete num livro de ficção que contava história semelhante, só que passada numa cidade japonesa. O jogo é um tipo de 'continuação' dessa história, que é mencionada algumas vezes pelo Maeda.

Cara, pelo menos não é medieval! Graças a Deus! Este já é um grande mérito do jogo.

Durante o passar dos dias, os monstros vão ficando cada vez mais numerosos na cidade, o exército vai surgindo e as pessoas começam a ir embora, bem aquele negócio da cidade cheia de gente virar cidade deserta e destruída que os japoneses tanto adoram.

Óbvio que a heroína e a vilã são irmãs. Pô, tá tão na cara que vou te contar. Quer dizer, eu não lembro direito, porque joguei faz um ano, mas rola uma merda dessas entre as duas. E como quem chega perto da vilã morre queimado, a não ser a heroína imune, o exército não pode fazer nada para detê-la e tu vai sempre sozinho. Isso depois que assistes às mortes horríveis e espetaculares dos militares e às explosões de suas máquinas maravilhosas. :)


O joguete:

Tu andas pelos cenários e a câmera quase sempre mostra as cenas em ângulos esquisitos que eles dizem que são cinematográficos. Mas pelo menos os cenários são vastos e as telas não são fixas. Tá cheio de baús, passagens secretas e itens escondidos, então tens que fuçar muito por tudo que é canto pra achar as melhores coisas e pra pôr a Aya a rastejar de quatro por túneis apertados.

Pra salvar o jogo, tens que encontrar um telefone pelo cenário e ligar pra polícia. Só podes salvar em locais fixos.

Os encontros são aleatórios e numerosos, mas pra um RPG da Square até que não tá tão ruim quanto aquelas bostas de SNES e aqueles Final Fantasy da vida. Durante os encontros, vai enchendo a tua barra de ação. Enquanto isso acontece, só podes correr e desviar dos monstros e de seus vários ataques malucos em estilo arcade. Quando a barra enche, podes atirar, fazer a tua magia (usar o poder psicótico que tem até MP), trocar de arma, usar itens e outras bronhas. Cada arma tem um alcance diferente, número de balas que quando acaba tens que recarregar, e outros detalhes meigos e engenhosos que deixaram os combates bem agradáveis.

O jogo tem várias armas diferente (e muitas de fogo), e tu podes alterar e personalizar as mesmas com itens ou na oficina da delegacia. Também podes distribuir a tua experiência do jeito que quiseres entre tuas habilidades e entre as especificações das tuas armas e armaduras (coletes de kevlar e essas coisas que o Justiceiro aprovaria).

O jogo é meio linear, mas tu podes sair do caminho pra buscar uns itens extras e pra enfrentar uns monstros diferentes escondidos por aí, e é bom fazer isso ou tu não vais ter poder pra lutar contra os mestres do final, que são bem difíceis.

Rolam uns momentos arcade em que tens que escapar de explosões e te equilibrar em sacadas, e até uns quiz que te dão bônus, e uns outros mini-joguetes durante as fases.

Claro que tu encontras umas pessoas e falas com uns sobreviventes escondidos em edifícios quando eles querem contar a história, mas durante a maior parte do tempo é lutinha e busca por itens. A vilã aparece o tempo todo e cada vez mais bizarra, as mutações dela ficaram bem tora. Tu chega até a ver o filho dela nascendo lá pelo meio do jogo.

O número de itens que carregas é limitado e contas com um boco do infinito (um lugar estratégico na delegacia em que podes deixar TODAS tuas coisas e pegar quando quiseres). Também podes ampliar teu limite de itens usando experiência.


Os controles deste joguete são uma merda. Tu podes andar normalmente ou correr. Só que quando andas normalmente, levas meia hora pra atravessar a tela. Caminhar não adianta nada, não tem nenhuma utilidade, melhor seria se ela sempre corresse. Só que pra correr tens que segurar um botão. Ou usar o controle analógico do Playstation, o que eu não recomendo, porque aquela bosta não tem precisão nenhuma e tu nunca chega onde quer. Gostei mais de jogar no teclado. Ah, sim, o jogo usa a função -vibrador- do controle do PSX. Então, antes das lutas, o controle da uma tremidinha. E é só, também. Não serve nem pra dar prazer.


O jogo é de tamanho médio, dá pra vencer em poucos dias. O que é bom. Tu passa por um bom número de cenários, e antes que enjoes muito, acaba, ao contrário dos Final Fantasy em que parece que eles não sabem quando parar. Ou do Tales of Phantasia, do SNES. Aquilo não acaba nunca e é SEMPRE a mesma coisa. A merda suprema é que Parasite Eve ocupa dois CDs só pra dizer que ocupa, porque não enche nenhum deles. E, pra não gastar dinheiro com dublagem, resolveram não colocar voz nenhuma no joguete todo, só textos. Isso com um monte de espaço sobrando nos discos.


Gráficos: Os cenários são bitmap e são bem feitinhos e detalhados, e variam bastante. Todos os personagens são feitos num 3D extremamente podre e vagabundo, e é claro que não combinam com o cenário. Os vídeos são decentes e bem feitos, com muita psicose (tipo rato ou cachorro virando monstro gigante, gosmas invadindo a cidade, aviões explodindo, gente pegando fogo, a vilã grávida pedindo pra heroína fazer silêncio, e um pouco de burusera por conta das protagonistas, mas não chega a ser nenhum exagero). O cartaz promocional do jogo era a personagem principal de teta de fora com os mamilos cobertos por uma jaqueta e com o ziper da calça aberto. Irresistível pros OTAKUs, que vendo isso pensavam 'tenho que adquirir este belo jogo, deve ser tri bom'!


As musiquinhas: Quanto tem, são legais. Mas é raro ter. Rolam umas óperas psicóticas e até uma musica que mistura espanhol com latim e que é choramingante ao extremo. Os efeitos sonoros são lixo puro. A não ser nos vídeos, claro, nos vídeos tudo é bom. Afinal não é o playstation que tá fazendo de verdade.


Quando vences, para aumentar o valor do joguinho, surgem alguns modos novos, inclusive um edifício com andares aleatórios em que enfrentas todos os monstros do jogo. E no fim rola uma bela ameaça de continuidade (cumprida alguns anos depois num jogo muito pior e muito mais orientado a burusera).


Meu veredicto final para esta obra:

Tem umas partes meio chatas, mas é legal e vale a pena jogar uma vez. Gostei! Um polegar e meio estendidos para este joguete acima da média do Playstation. Adoro histórias sem pé nem cabeça e repletas de amarelismo.


O livro é pior ainda. Meu deus que coisa ruim meu deus.