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13306 joguetes

se estiveres te sentindo um merda

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  • PC DOS
  • 1995
  • CD
  • 1
  • when i'm on the road i'm indestructible

  • no one can stop me

  • but they try

  • auuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

  • capa

Agora esse jogo inovou bastante na época, vejam bem. Os adventures da Lucas Arts até então (e a maioria dos outros adventures, que só dava imitação da Lucas Arts) eram tudo tipo Monkey Island. Tudo bem que Monkey Island é legal, mas depois dele todos jogos desse tipo eram a mesma coisa: lógica cartoon, piadinha sem graça atrás de piadinha sem graça e centenas de linhas de diálogo. Era PRACTICAMENTE como se uma versão duplamente retardada e um pouco gay do Woody Allen tivesse por trás de todos os adventures até o inicio dos anos 90, já tava ficando chato pra caralho, e as coisas menos cartoon que tínhamos até então haviam sido os Indiana Jones and the Last Crusade e o Fate of Atlantis.

Full Throttle, além de ter uma história menos sem pé nem cabeça, é um dos poucos adventures que tem algum apelo com quem não gosta do gênero. Pra começar, os diálogos são muito reduzidos. Quem não gosta de Monkey Island não quer ficar meia hora lendo piadinha. Porra, se eu quiser ficar meia hora lendo piadinha vou REVER minha coleção de pimentão - Piadas & Anedotas. Um dos principais motivos pra não se gostar de adventures era "Porra, mas é jogo de ficar lendo". Então o protagonista da história, um dos raros casos de HERÓI MACHÃO num adventure, o motoqueiro Ben, nos momentos em que está mais FALADOR, manda frases completas do tipo "Mm", "I don't like that" e "Nah." E quando tu manda ele quebrar alguma coisa, ele não fica de frescura como ACONTECE SEMPRE em adventures que tem coelhinhos e cachorrinhos detetives ou tentaculos cor de rosa ou piratinhas que trancam a respiração por 10 minutos, ele vai lá e dá uma porrada.

Outra arte é a interface, simplificada e intuitiva pra caralho, com apenas quatro comandos.


A história é sensacional e simples: uns executivos fodanchões enganaram a gangue de motoqueiros e deixaram Ben inconsciente num bar na beira da estrada, agora ele tem que se vingar.

O cenário é o de um futuro levemente incerto, os designs dos veículos e os desenhos em geral são tão bem feitos que fazem choramingar até hoje e o jogo conta com uma trilha sonora de rockzinho vagabundo composta pelos desconhecidos Gone Jackals, mas que ficou totalmente adequada.

Alguns jogadores mais hardcore de adventure costumam se queixar de que tem partes arcade, como as cenas em que deves lutar contra outros motoqueiros. Acontece que não são arcades de verdade: tu só precisa usar a arma certa na hora certa. Inclusive nas outras cenas arcade, como uma em que tens que dirigir um carro, só precisas pôr ele na parte certa da tela, nenhum dos jogos exige habilidade nos controles. Aliás, as soluções de muitos dos puzzles requerem um raciocínio mais porrada típico de quem não estava contaminado pelos clichês dos adventures da época.

O único problema mesmo do jogo é que é meio curto, no resto ele é perfeito, um dos jogos mais bem feitos de todos tempos. Caso raro. Nas imortais palavras da Gazeta de Pissaraguatuba, Suplemento de Informatica: "dos grafismos aos sonidos, todo o jogo tem um estilo próprio e adequado, nunca dantes visto."

Joguem aí no SCUMM Virtual Machine que roda bem.


Um exemplo do texto bom desse jogo:

Motorcycles. Mayhem. Murder.

One minute you're on the road, riding. Not a care in the world. Then some Guy in a suit comes along, says he's got a deal for you and your gang. But when you come to, you've got a lump on you head, the law on your back, and a feeling in your gut that the road you're on is about to get a lot thouger...


Aprende aí, Monkey Island.