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  • maria desviando de um tridente

Programa sensação da Primeira Feira Marista do Colégio São Francisco de Rio Grande. A famosa feira, que teve 1 (huma) edição, foi feita para CELEBRAR a assunção de Maria ao Céu, e qualquer aluno podia participar com trabalhos relacionados ao tema, que costumavam ser cartazes, figuras e outras chinelagens feitas apenas para ficar ali na feira matando tempo enquanto os colegas continuavam tendo aula.


Aliás, isso me lembra da edição de 1991 da Feira de Ciências Marista da qual eu tirei PRIMEIRO LUGAR. Foi assim: um dia meu amigo Otávio me mostrou um programa chinelo feito em BASIC e em 5 minutos num Hotbit HB8000, o qual perguntava a cor dos olhos do pai e a cor dos olhos da mãe do individuo. Após isso, a máquina imprimia a mensagem "CALCULANDO" e Otávio me disse que nesse ponto tinha colocado um FOR de 1 a 1 milhão pra dar a impressão de que o computador estava fazendo alguma coisa importante. Depois disso aparecia uma daquelas tabelas de genética mostrando quantos por cento o cara tem de chance de ter os olhos duma cor. Claro que essas tabelas são aquelas básicas e já estavam prontas e o negócio do CALCULANDO era só pra sacanear. COMO NÃO PODERIA DEIXAR DE SER, eu perguntei "Pra que essa porra?". Otávio replicou: "Vai ter uma feira de ciências no colégio. Quem participa fica na feira a semana toda, sem aula!" Tripliquei: "Omessa! Põe o meu nome aí como autor! Quero ficar sem aula!" Otávio quadruplicou: "Beleza, vamo lá." E esse programa sensacional feito com o INTUITO de matar aula ganhou o primeiro prêmio, que consistia numas plaquinhas de madeira com uma ilustração um pouco grotesca da um BEBÊ VERDE USANDO UMA MÁSCARA DE GÁS. O Otávio ainda fez um belo e emocionado discurso ao receber o prêmio. E pudemos ficar jogando After the War o tempo todo durante a feira de ciências, que o Lingüinha e o Pentelhinho tinham levado um Hotbit com algum outro programa escroto e que serviu a esse fim mais nobre.


Mas voltemos ao MARIAL ATTACK. Esta obra, infinitamente mais avançada e original que o clássico programa em Basic que fingia calcular genética mendelliana, sofreu alguns revezes e trouxe dissabores ao autor. (Dissabor é o que os caras dizem quando tu vai se alistar no quartel e eles sacaneiam assim: Cara, põe aí que tu é voluntário, que é pra depois tu entrar por vontade própria e não ter que ter o dissabor da gente te mandar servir na puta que o pariu.) Acontece que, ao demonstrar o produto, Toio, que estava a frente de seu tempo, foi incompreendido pela platéia.

Vejam bem, Marial Attack era um videogame carola em que Maria vai subindo ao Céu de corpo e alma. Lá de cima vão caindo tridentes que representam o PECADO. Cabe ao jogador, ao sinal de "Ready, Maria!", desviar dos tridentes e chegar com Maria ao Céu. Se um tridente atinge Maria ou se ela bate nas bordas do caminho RETO e ESTREITO em direção ao Céu, ela perde altitude. Se dois tridentes atingem Maria, ela PERDE O PODER e é Game Over na certa. E isso tinha que competir com cartazes com frases biblicas ou imagens da santa. Claro que uma obra de arte sacra desse nível não foi bem recebida e deixou os Irmão Maristas estupefactos. Se tivesse sido hoje, é claro, teria recebido louvores e felações.

Mas em 1992 o videogame marista foi proibido, esta é a TRISTE VERDADE.

Para não perder a oportunidade de ficar sem ter aula, digo, para exercer sua religiosidade, Toio, que foi sacristão e desde pequeno se interessou pelo Cristianismo, especialmente pelos metodos de tortura da inquisição, fez um SCROLL em screen 3 que ficava passando frases biblicas na tela e mandou esse programa pra feira. Só que se fudeu de novo, que nessa feira foi decidido que os alunos iam ficar em aula e as obra iam ficar lá expostas sozinhas.

Ainda bem que apertando uma tecla secreta o scroll parava e o Marial Attack começava.

Esta obra prima de puro prazer, mais FORTE que a Paixão de Mel Gibson, recebeu um remake para PC, mas me recuso a falar sobre remakes.